28 dezembro 2007

balanço de 2007

De corrida, só para lembrar alguns acontecimentos marcantes deste ano (aqueles que me vêm à cabeça), e porque o dever de uma gralha é denunciar, denunciar, denunciar. O que houve de bom e de mau.

Pela negativa:

A morte de Benazir Bhutto: mulher, corajosa, lutadora pela liberdade - uma combinação demasiado explosiva (não pretendo aqui fazer nenhum trocadilho de mau gosto) para o nosso mundo de hoje.
O encerramento de diversos serviços de saúde em Portugal: sou sempre a favor da optimização e rentabilização dos serviços mas sou, antes de mais, pela garantia dos direitos inalienáveis dos cidadãos e parece-me que esses estão a ser postos em causa.
O degelo recorde no Ártico, onde a superfície gelada que derreteu a mais este ano tem uma dimensão próxima da África do Sul.

Pela positiva:
A derrota, em referendo, de Hugo Chávez, que tentou promover uma reforma constitucional que permitiria a reeleição para presidente por um número indeterminado de vezes. A democracia tremelica em grandes partes do mundo mas aqui ainda conseguiu fazer-se valer (vamos ver até quando).
A publicação da lei anti-tabaco em Portugal: perdoem-me os meus amigos fumadores mas ATÉ QUE ENFIM.
A assinatura pelos EUA do acordo de Bali: não sei se terá algum impacte real mas marca alguma mudança de atitude sobre estas temáticas num dos maiores poluidores mundiais e, certamente, no país que tem actualmente maior influência sobre o devir no nosso pequeno planeta.

Pessoalmente, e dando muitas graças a Deus, olho para 2007 e só vejo acontecimentos positivos. Casei-me, tive um filho, mudei de trabalho mas não de emprego e tenho muita confiança que é no próximo ano que vou ganhar o Euromilhões. Só me falta começar a jogar.

Um óptimo 2008 para todos :)

26 dezembro 2007

do natal

É nestas alturas que eu vejo que a boa disposição e bom feitio do Gustavo são ímpares. Suportou dois dias de confusão e imensa gente (sobretudo ontem) a pedir gracinhas, a cantar para ele dançar, a pegá-lo ao colo, a querer brincar com ele, a tirar infinitas fotografias, um reboliço extremamente cansativo até para mim. E tudo sem um queixume, dormindo descansadamente as suas sestas, brincando por breves segundos com cada novo brinquedo (foi mais o tempo a recebê-los do que a desfrutar deles), fazendo o seu charme do costume. Palavra de honra que não compreendo como saiu tão mansinho e tão festeiro em simultâneo.
E assim se fez o Natal. Com muita família, como eu gosto, com comidinhas boas, como eu gosto, com aberturas de presentes intermináveis, como eu já estou habituada. Para o ano há mais, de preferência com mais bebés - não há meio é de os meus primos se decidirem a isso.
E agora, de volta ao trabalho. A avaliar pelo deserto que está hoje a cidade de Lisboa, sou a única que veio trabalhar hoje.

22 dezembro 2007

feliz natal!



Este ano foi Natal para nós em Março. E o resto do ano foi Natal todos os dias, porque o privilégio de assistir ao crescimento do nosso filho é o maior milagre da vida. Por isso, este Natal é só mais um dia, mas é um dia especial porque ainda assinala para mim, sobretudo, o nascimento do que há de mais puro e bom, a concretização de uma promessa há muito esperada.
Tenho algum pudor em falar assim da nossa alegria neste Natal porque sei que há muita gente para quem a quadra natalícia é um suplício que têm de suportar com um sorriso amarelo. E isso é triste. Há sempre gente que perdeu alguém este ano e há gente que ainda continua à espera da sua própria promessa há muito esperada. A todos vós, a quem não vos apetecia nada o Natal, gostava de deixar um abraço muito apertado. Gostava que pudessem ouvir o riso do meu filho, que contagia até o mais sisudo. Gostava que acreditassem que o próximo Natal será certamente melhor. A todos, a família gralha deseja um Natal cheio de luz!

20 dezembro 2007

um dia (e noite) em cheio

Ontem foi daqueles dias em que, à partida, dado o dilúvio estúpido que resolveu desabar sobre esta terra, não dava grande coisa por aquilo. Mas não, foi óptimo! Passei a manhã a brincar com o ranhoso e o manhoso (Gustavo e Matias)

(não sei porquê, isto agora fez-me lembrar o Duarte & Companhia. Era tão fixe, o Duarte & Companhia)

li, preguicei, tricotei, e ainda fomos ter com umas miúdas muito giras e simpáticas. Gostámos muito de rever a Leonor e a Ana e também de finalmente conhecer a Clara e a Sara. Achei mesmo graça ao modo como a bebezada se fartou de interagir - e ainda dizem que os bebés desta idade não ligam uns aos outros! A Clara é tão meiguinha, tão querida e feminina que fiquei mesmo cheia de vontade de mandar vir uma menina...
E eis senão quando chego a casa, depois do trânsito e da chuva e do vento, e encontro o L. à minha espera... Para me levar a jantar fora ao restaurante aonde fomos quando fizemos um ano de namoro. Fiquei tão surpreendida e tão contente! Fez-nos tão bem aquele tempo só a dois, depois dos meses de fraldas, sopas, biberons e etc.
Pronto, este post hoje ficou um bocado pessoal e a fugir para o romance de cordel, mas apeteceu-me dizer que estou contente :)

18 dezembro 2007

porta 65

Embuste. Rectórica. Trapaça. Utopia. Tantas palavras poderiam ser usadas para descrever este programa.

(para quem não sabe: uma iniciativa governamental para incentivar o arrendamento jovem)

Sobretudo, acho que é o maior incentivo à reprodução das injustiças sociais. Senão, vejamos:

É preciso conciliar uma renda muito baixa (teoricamente impossível para cada tipo de localização) com um ordenado do ano anterior relativamente alto. Logo aqui se exclui as pessoas que só recentemente começaram a trabalhar, as pessoas que ganham miseravelmente e, a parte mais "divertida" para mim, as pessoas que são tão comodistas, tão comodistas, que se dispõe a pagar mais de 550 euros por um T3 em Lisboa, por exemplo. Toda a gente sabe que há por aí casas gigantes ao pontapé, em toda a cidade de Lisboa, por 300 e tal euros. Só paga mais quem é mimado. Na verdade, e para o exemplo de Lisboa, parece-me que só é possível cumprir os critérios de elegibilidade de duas formas:

- Vai-se viver para Santo António dos Cavaleiros e demora-se 4 horas no trânsito todos os dias - reprodução da injustiça na versão classe média baixa
- Vai-se viver para o centro de Lisboa num apartamento que não estava para alugar no mercado, que se conseguiu através de conhecimentos e outros mecanismos subterrâneos - reprodução da injustiça na versão classe média alta

Eu consegui. Mas é injusto, e fico chateada.

17 dezembro 2007

de férias

Que é como quem diz, em casa, de papo para o ar (quando não estou a brincar com o Gustavo, a fazer sopas, a fazer os preparativos para o Natal, etc.). Se encontrar uma nota de 500 euros perdida na rua, ainda pego no filhote e vamos para uma qualquer capital europeia - que sempre há de estar menos fria que a nossa casa...

Até já!

13 dezembro 2007

imodéstia

A última coisa que eu queria era que este blogue se tornasse numa listagem dos meus motivos de orgulho como Mãe, tal como não quero tornar-me naquelas Mães chatas que não sabem falar de mais nada senão das gracinhas dos filhos. Isto tudo para explicar que os posts intermináveis que faço a cada mês não se destinam ao vosso fastio nem estou à espera que me confirmem que o meu filho é mesmo espectacular (ainda que isso fosse perfeitamente normal). Estes posts são o resumo que guardo de cada mês porque isto da maternidade é uma coisa mesmo bastante fixe mas que passa à velocidade da luz e quando eu estiver caquéctica, com os últimos 50 cabelos brancos na cabeça, a medir 1,50m e sem carninha nenhuma sobre os ossos, vou fartar-me de chorar a ler isto enquanto resmungo com uma voz trémula (possivelmente com um sotaque regional qualquer que hei-de adoptar): "ai, meu filho, tão lindo que eras! ai, que me trocaste por aquela desavergonhada da tua mulher! ai, que lhe vou fazer a vida negra!".

12 dezembro 2007

9 meses

Hoje acordámos os dois lado a lado cheios de alegria! Já passaste tanto tempo cá fora como dentro da minha barriga e eu nem tento esconder o orgulho que tenho em ti, meu filho :) Não podias ser mais querido e perfeito, és a realização do meu maior sonho, e a cada mês sinto uma imensa gratidão por acompanhar o teu crescimento.
Apesar de todas as doenças que te acompanharam também neste mês, foi tempo de grandes conquistas. Chegaram o segundo e o terceiro dente, o que te tirou um bocadinho o apetite (nem por isso baixaste dos percentis 95), mas já gostas de comer sozinho as primeiras comidas de "crescido" - e eu desespero com os tempos infinitos para apanhar uma rodela de cenoura ou um bocadinho de salsicha de perú...
Em termos de comportamento, lá por seres simpático e gostares de brincar com os colegas da escola, não deixas de ser um grande patife porque lhes roubas as chuchas e foges à descarada. Já aprendeste a contornar os objectos grandes para encontrar os brinquedos escondidos e agarras-te a tudo (a mamã, por exemplo, dá imenso jeito) para te pores de pé e dares os primeiros passinhos apoiado. Fazes adeus e acenas "não" com a cabeça, enquanto dizes "na" (já do contra???) e também vais dizendo os ocasionais "ma-ma" quando o mimo ataca. A gracinha mais recente foi o tio que te ensinou: palminhas! A coisa mais fantástica é que obedeces quando te dizemos para não mexer em alguma coisa (até quando?) e a coisa mais gira é ver-te a cantar e a dançar o "la cucaracha" enquanto agitas as maracas. Terás um belo futuro no showbiz, certamente... No entanto, a herança genética da engenharia é notória, porque estás sempre a testar os materiais para ver se são consistentes. Por falar em herança genética, andas completamente fixado no avô (o meu pai), que está a aproveitar muito bem esta semana em que estamos em casa deles. Só queres brincar com ele e até lhe pedes colo, tu, que nunca gostaste de colo.
Agora, a coisa mais linda - que me enche o coração de um amor infinito que não é possível haver coisa mais querida no mundo, que até vejo estrelas e arco-íris e o universo fica em suspenso - é quando andas, como sempre, a brincar sozinho a 100km/hora e, de vez em quando, páras e vens dar-me um grande abraço apertadinho. E depois atiras-te para o chão e lá vais de novo à tua vida. Posso dizer que sei mesmo o que é ser feliz :)



11 dezembro 2007

quem é a esposa querida, quem é?

Estas são todas para ti, meu amantíssimo conjuge:







(2ª feira - Evangeline Lilly; 3ª feira - Natalie Portman; 4ª feira - Beyoncé Knowles; 5ª feira - Eva Green; 6ª feira - Giselle Bündchen)

Sim, que eu também sei apreciar a beleza feminina.

10 dezembro 2007

patrão fora...

... semana santa na loja.







(2ª feira - Wentworth Miller; 3ª feira - Reynaldo Gianecchini; 4ª feira - Daniel Craig;; 5ª feira - Amaury Nolasco; 6ª feira - Josh Halloway)

Deus criou o homem numa tão linda variedade... (e assim se prova que todos os homens ficam lindos de camisa e mãos nos bolsos)

(Marido querido, que estás a milhares de quilómetros: não te zangues que amanhã eu compenso-te)

07 dezembro 2007

a besta cultural

É o que eu estou a ficar. Compreendo agora que a maior mudança que esta nova fase da minha vida trouxe - atenção, não estou a culpar o meu filho, estou a culpar-me a mim - foi a ruína da minha vida cultural. Como o tempo não é elástico, com a entrada das fraldas e das sopas e dos biberons, tinha de saltar qualquer coisa e foi isso que saltou (e mais o desporto, mas pronto...).
Não me lembro da última vez que entrei numa galeria de arte.
Não vou a um museu há um ano e meio.
Não vou ao teatro há mais de um ano.
Desde que o Guguinha nasceu, só fui uma vez ao cinema e foi para ver qualquer coisa fraquita, já não me lembro o quê.
Concertos, exceptuando os obrigatórios Police, nicles.
Música, em geral, ando a rejeitar. Não consigo gostar de nenhuma rádio, estou farta dos meus CDs do costume e são pouquinhas as coisas novas que me chegam ao ouvido e lá permanecem.
E os livros, senhores, os livros! Eu sou leitora ávida e não consigo acabar nada há que tempos. Mas há esperança! Na minha mesa de cabeceira a puericultura (Tracy Hogg) já está debaixo da Agustina Bessa-Luís, sobre quem repousa a Zita Seabra...
Não digo estas coisas como queixume vazio nem para dar ares de intelectual. A verdade é que eu não posso negar a minha essência nerd e a importância que estas coisas têm para mim. Nem só de pão vive o homem e esta mulher sente falta de cócegas lá naquela parte do cérebro que mexe com a criatividade e com as coisas bonitas.

06 dezembro 2007

natal antecipado?

Alguém anda a deixar-me notas de 10 euros nos bolsos, só pode. Todos os dias tenho amanhecido com uma diferente, linda e cor-de-rosinha. Agradeço e estimulo a continuação de tão bom hábito matutino.

(ou isso, ou realmente tenho de começar a não deixar acumular quilos de lixo nos bolsos, na mala, na consola do carro...)

05 dezembro 2007

nevoeiro

Nestes dias de nevoeiro contínuo, a estrutura do tempo deslaça-se como claras em castelo feitas na Bimby.

(é por arruinar todas as metáforas com imagens corriqueiras que o meu futuro como poetisa está condenado à partida)

04 dezembro 2007

uns queridos

Não sei se será da época natalícia, mas os homens das obras estão a ficar uns fofos! Só hoje já ouvi um

"És uma boneca!"

e um

"Ahhh, o capuchinho vermelho"

Mais alguém me diz uma destas e arrisca-se a levar uma grande beijoca naquela bochechinha com barba de 3 dias.

03 dezembro 2007

duas rodas

Mandem toda a espécie de veículos, motorizados e não motorizados, terrestres, aquáticos, aéreos (aviõezinhos de papel), que a gralha lá se ajeita a conduzi-los. Mas, por alguma razão, tudo o que é com duas rodas tem de ser mantido bem distante das minhas patinhas. Fala-vos alguém que já conseguiu atropelar-se a si própria com uma trotinete eléctrica.
Ainda assim, destemida e fresca, lá fui eu andar de bicicleta com o meu pai na manhã de Sábado. Podia ter sido um momento de família tão bonito... E até foi, à excepção daquela vez em que ia atropelando um polícia (que se desviou a tempo). E daquela outra em que ia sendo atropelada por um carro porque, no meio da indecisão entre parar antes do cruzamento ou passar antes do carro (dava tempo), resolvi que era melhor travar a fundo mesmo à frente do dito carro, cujos travões estavam a funcionar bem, graças a Deus. É uma coisa inexplicável esta minha dificuldade. O problema não é andar, o problema é só virar e, sobretudo, parar. Pura e simplesmente estupidifico e, na maior parte das vezes, acabo por me enlaçar nos pedais, nas rodas e no diabo a quatro. Para a semana vou de patins.

30 novembro 2007

em casa

Muito obrigada pelos vossos comentários ao post de ontem, cada um especial à sua maneira (é assim que eu vejo que valeu a pena privatizar o blogue e reservar a entrada só a pessoas - e pinguins - fora de série).
Hoje fiquei em casa com Gustavo para ver se, pelo menos por uns dias, ele não leva a injecção de vírus da creche. Ele continua a tossir como um camionista sem chauffage que atravessa os Pirinéus no Inverno, mas já está medicado e talvez um pouco melhor. Conseguimos consulta ontem com a Pediatra, o que sempre deu não só para a medicação mas também para confirmar que ele continua matulão, giro, desenvolvido, etc.
As dúvidas continuam sempre, claro. É só que, às vezes, olho para mim e vejo-me ainda quase adolescente e a não saber o que fazer a tanta responsabilidade. Mas depois isso passa-me logo porque eu sempre me achei muito forte e corajosa (como o Matias, um Beagle que se julga Rottweiller, pelos vistos é de família).

Por isso, amiguinhos, bom fim-de-semana. Façam a árvore de Natal! Sim, é neste Domingo, que é quando começa o Advento. O Advento, para quem não sabe, são as 4 semanas antes do Natal, que é o dia de aniversário daquele boneco mais pequenino e de fraldas que têm no vosso presépio. Pronto, quem quiser também pode montar o pinheirinho só no próximo dia 8, que era a tradição antigamente.

p.s. Estou muito contente porque parte de mim vai amanhã para um sítio onde sempre sonhei ir, a Costa Rica. Infelizmente, essa parte é apenas a minha mochila e o meu saco-cama. Pode ser que traga uma tarântula lá dentro, ou coisa que o valha.

29 novembro 2007

equilíbrios

Uma mulher que se torna mãe pare um bebé mas engole uma espécie de bicho que a corrói de dúvidas e preocupações para o resto da vida.

(isto as mães que o são por escolha, claro)

E ainda tem de engolir mais uma quantidade infinita de sapos, mas agora não me apetece falar disso.

Decisões como pô-los ou não na creche, ficar ou não em casa, confiá-los ou não a outras pessoas, deixam-nos sempre a interrogação se tomámos as melhores decisões, se o fazemos por eles, por nós, pela relação com o nosso marido, por todos... É tão difícil equilibrar tudo isto, e é sobretudo nas alturas de crise - como nas doenças persistentes de um bicharoco pequenino (matulão) de 8 meses e tal, que não tem culpa de nada - que estas dúvidas nos martirizam. Só queria saber tomar sempre a melhor decisão para todos. Queria conciliar um desenvolvimento independente com a saúde física, a minha própria sanidade mental com o conforto dele, o bem-estar do meu casamento com um acordar sem tosse a cada dia... Mas não parece possível, não parece possível. Estou triste.

27 novembro 2007

...e mais uma

Gralhinho doente. Eu bem lhe digo para parar com isto das viroses, que já não é nada original. Febre, ranhoca, a estreia da devolução do jantar (em jacto) sobre o pai. Uma festa. Até melhores dias!

23 novembro 2007

o que me falta

Não sei se vocês param, de vez em quando, para pensar se levam a vida que desejam (se não o fazem, é lastimável) mas eu lá faço o exercício ocasionalmente. Verbalizar mesmo o que se deseja, o que se deseja de facto, é muito importante. Eu sempre desejei para a minha vida constituir família e ter um trabalho que ajude, de alguma forma, a fazer deste mundo um lugar melhor. Estou muito contente com a minha família recém-nascida, e que espero que possa crescer e dar frutos (não desfazendo, acho que vou ser uma avó espectacular). E o resto?
Quando olho para os meus posts anteriores vejo escapismo, preocupações sociais e ambientais. Vejo a minha urgência em ajudar, em tomar os mais frágeis debaixo das minhas asas. E olho para os meus dias de trabalho e vejo despesas e receitas e uma grande alegria quando recebo pastas novas que me permitem organizar as montanhas de papeis que já faziam sombra ao teclado do computador. Caramba, isso é tão pouco, tão... ao lado do que eu desejo. E até tenho planos e ideias bem definidas do que poderia fazer. Mas lá vêm as desculpas: falta-me o dinheiro para montar o negócio, o tempo para fazer tudo direitinho, a estabilidade para poder largar o trabalho que tenho e dedicar-me só aos meus projectos. Mas quase toda a gente que monta um negócio de raiz tem falta de tudo isso, não? O que me falta é outra coisa...

21 novembro 2007

galápagos

Ora hoje podia era estar aqui.



Só eu, o meu marido - que bem está a precisar -, um tabuleiro com ameijoas, pão acabado de fazer e sangria de champanhe. Ficávamos só a observar as iguanas à pesca na água gelada. E estava sol, muito sol. Mainada.

(Deus abençoou-me com tanta imaginação...)

20 novembro 2007

não concordo

Nunca falei de política neste blogue, e nem tenciono voltar a fazê-lo, mas tenho de dizer que não concordo que o nosso Primeiro-Ministro, representando um país democrático, receba um ditador. Não concordo, pronto. Os ditadores podem ser pitorescos à distância, podem dar personagens interessantíssimos de romances históricos, mas a minha experiência num país que ainda vive uma ditadura fez-me perder toda a paciência para estes salvadorezecos-da-pátria que acabam por retirar as liberdades individuais para encher o ego ou mesmo para encher o bolso. Como o meu blogue é democrático, aceito todos os comentários contra, mas eu digo: Chávez, baza!

19 novembro 2007

grrrrrr

Dir-se-ia que 28 anos anos já são uma idadezita razoável para não corar por tudo e por nada - especialmente por nada! - só porque se fala com alguém e se pensa que a outra pessoa pensa que nós estamos a pensar em qualquer coisa que não estamos a pensar, não? OK, isto está indecifrável mas esta traição das minhas próprias bochechas, que passaram todo o dia da cor da cal, dá-me vontade de me dar um par de lambadas a mim mesma.

como foi que disse?

Esta noite reencontrei cara-a-cara uma amiga de longa data, que já não via desde os 7 meses de gravidez do Gustavo (a minha sanita) e digo-vos que não senti falta da dita. É por estas e por outras que não tenho saudades de estar grávida. O que vale é que o entrevadinho já está melhor e já podia andar a cuidar do filhote, que andou a acordar de hora a hora até às tantas da matina.

Só que, no meio disto tudo, e para compensar a última semana,

ma - ma - ma - ma

diz lá outra vez, Guguinha

ma - ma

(estendendo os bracitos para trepar por mim acima, o novo hobby)

ma - ma

E é nestas alturas que o meu coração explode de amor e tudo o resto se torna secundário.

16 novembro 2007

para onde podemos ir?

Hoje o que me está mesmo a incomodar é o permanente aroma a escape que entra nas minhas narinas, desde a porta de casa até à porta do trabalho. Por que é que tenho de viver no meio de tanta poluição? Porquê? Porque vivo num centro urbano. Ora, ir viver para o campo era muito simpático mas a nossa profissão não o permite. A solução estará, então, num centro urbano menos poluído, uma cidade simpática onde o meu filho possa crescer sem ficar com pulmões de fumador antes dos 3 anos.
Qual não foi o meu espanto quando, pesquisando na Internet, não encontrei qualquer estudo sistematizado sobre os índices de poluição a nível mundial (se alguém conhecer, por favor diga-me). Só há uma lista negra das 10 piores cidades, feita pelo Blacksmith Institute. É bom, porque já fico a saber que a China, a Índia e a Rússia não são os melhores países para construír uma vivenda com canteiros de buganvílias. Mas isso não me diz nada acerca dos níveis de poluição de Lisboa ou de alternativas como Roma, Londres, Dublin, Boston, São Francisco, Buenos Aires. Não sei porquê, estou mais apostada em qualquer coisa como Oslo, Estocolmo, Helsínquia, Otava, Wellington ou Cidade do Cabo. Mas é que umas são muito frias e outras são tão fora de mão...

15 novembro 2007

parecia eu que adivinhava

Andei feita defensora dos deficientes e tenho agora um marido todo escangalhado! Ontem, só de pegar no Gustavo ao colo, deu um jeito às costas e ficou imobilizado (será que agora já acredita que ele está um pouco gordito demais?). Agora tenho um latagão de 80 kg para deitar, levantar, vestir, calçar e animar, para além do lataguinho de 10 kg que já me dá alguma mão-de-obra. E do cão.
Eu sou só uma pequena gralha, cada vez mais escanzelada, e não tenho mãos a medir para tanta empreitada! Help!

(Ele já está medicado e de cama, com menos dores. Esperemos que fique melhor depressa)

14 novembro 2007

arrumações

Ontem à tarde/noite, sem saber bem como aquilo começou, dei por mim a fazer terapia arrumacional: dei a volta ao meu armário, cómoda, sacos de roupa acumulados, mesa de cabeceira, troquei as peças de Verão pelas de Inverno, uma roda viva. Depois de muitos espirros e de voltar a pôr no sítio, bem dobradinha, cada camisola e cada t-shirt, eu - em tempos, perfeccionista, quando tinha tempo para isso - fiquei logo a sentir-me muito melhor. É pena que não seja tão fácil fazer o mesmo com as desarrumações que nos vão pela cabeça...

13 novembro 2007

civismo

Ontem mandei um e-mail para toda a comunidade da universidade onde trabalho a chamar a atenção para o que é frequente por aqui: vulgares condutores, que se devem sentir um pouco especiais, a estacionar no lugar reservado aos portadores de deficiência. E a carrinha de transporte de deficientes a ter de parar em segunda fila. Estou farta, farta, fartinha de ver esta situação por isso quero ver se agora ainda têm coragem de continuar a fazer o mesmo. Desta vez, omiti a matrícula porque o meu objectivo é pedagógico mas, se continuar, vou começar a fotografar todos estes "especiais". E não há de me falhar um porque o lugar está mesmo aqui à minha frente e eu ando sempre armada (de máquina fotográfica). Broncos!



12 novembro 2007

8 meses

Filho querido, estes meses passam cada vez mais depressa e vejo-te cada vez menos como um bebé e mais como um rapazinho. Até já gostas de brincar com carros, de perseguir o cão e, se eu deixasse (e ele!) de lhe puxar o rabo. Acho que não houve um único dia deste mês que não tivesses tosse e não sei quem está mais farto do soro, se tu, se nós... Mas é assim mesmo a vida e, felizmente, não perdes a boa disposição nem o apetite. Por falar em apetite, estás um verdadeiro crava e não podes ver-nos a comer qualquer coisita sem que te ponhas a pedir. Guloso!
Começaste finalmente a estranhar um pouco os desconhecidos mas, desde que não apareçam de surpresa a pegar-te ao colo, continuas a distribuir sorrisos generosamente. Estás a ficar cada vez mais irrequieto e já é mesmo muito difícil mudar-te a fralda e despir-te, começa a parecer uma luta greco-romana! Também estás perigosamente destemido, uma espécie de baby-Indiana Jones, pelo que temos que andar sempre atrás de ti a evitar que te metas em sarilhos...
A parte melhor é que andas mesmo apaixonado pela mãe (mas também andas maluco pela casa toda até encontrar o pai):D Estendes-me os braços a pedir colo e até já me disseste adeus algumas vezes quando te deixei na creche de manhã (mas depois vais logo brincar todo contente). E brincar é mesmo coisa que adoras, agora até ficas de joelhos a virar e revirar os brinquedos (de pé ainda te custa ficar... serão os mais de 10 quilinhos a pesar nas pernas???). Quando não te deixamos fazer qualquer coisa - nomeadamente o teu passatempo preferido: mexer nas tomadas - já ensaias as primeiras birrinhas, mas também é a oportunidade certa para aprenderes o significado do "não" e, às vezes, até nos dás ouvidos. O mais tragico-cómico é que estás a ficar um bebé urbano: isso dos passarinhos e das árvores é muito giro mas o que gostas mesmo é de fazer uma grande barulheira quando algum carro buzina perto de nós (e não é por eu fazer o mesmo, porque agora até me controlo no trânsito para não dar maus exemplos). Urbano ou rural, estás cada vez mais lindo (não sou nada modesta, bem sei)! A tua pediatra diz que a cor dos olhos se define até aos 8 meses por isso agora acho que é oficial: passaste do impossível azul à nascença para o cinzento e agora o verde, o mesmo verde do meu pai. É lindo olhar para ti e ver os olhos do meu pai :) Mas não há qualquer dúvida que continuas a ser a carinha chapada do teu!






09 novembro 2007

hoje à noite

O Guguinha fica com o pai em casa e a mãe vai abanar as penas, oh yeaaah! (pronto, é só um jantarzinho com amigos, mas já é qualquer coisa)

08 novembro 2007

desculpas astrológicas

Diz que tenho a lua em escorpião. Estão a ver? Não tenho a culpa de ter mau feitio.

07 novembro 2007

todas as mulheres

Não sou feminista mas, desculpem lá, hoje tenho mesmo de escrever isto (um dia faço a mesma reflexão em relação aos homens).

Todas as mulheres são heroínas.
As mulheres que se levantam às 4h para ir trabalhar nas limpezas de uma multinacional.
As mulheres que se levantam às 7h para terem tempo para secar o cabelo e pôr maquilhagem antes de irem pôr os filhos à escola e irem trabalhar (numa multinacional).
As mulheres que estão na cozinha entre as 18h30 e as 21h30.
As mulheres que, depois de estarem na cozinha várias horas, ainda pegam na máquina de costura para fazer o fato de Carnaval dos filhos.
As mulheres que, mesmo com uma gripe valente em cima, vão sair à noite com a melhor amiga, que acabou com o namorado.
As mulheres que já não vão sair à noite há muito tempo porque...
As mulheres que andam com os filhos às costas e um bidon de 20 litros à cabeça para ir buscar água à fonte mais próxima.
As mulheres que andam com os filhos no marsúpio e com 8 sacos de supermercado nas mãos, até ficar sem circulação nos dedos.
As mulheres que nunca estudaram porque ficaram a cuidar dos 7 irmãos mais novos.
As mulheres que estudaram e que não podem dar-se ao luxo de ter filhos porque arruinariam a carreira.
As mulheres que gostariam de não fazer carreira mas têm de trabalhar para poder pagar as despesas básicas dos filhos.
As mulheres que passam noites em branco quando os filhos estão doentes.
As mulheres que passam os fins-de-semana em casa a brincar com os filhos enquanto os maridos vão para a pesca/futebol/tasca.
As mulheres que sonham fazer tanta coisa mas que põem os outros sempre em primeiro lugar.
E as mulheres que têm a coragem de tomar as rédeas da sua vida e conseguem equilibrar os seus desejos com as muitas exigências externas.
Não somos mártires. Tenho de acreditar que muitas de nós fazemos tudo isto por escolha e não por imposição (nem todas, é certo...). Mas que somos corajosas, lá isso somos.

06 novembro 2007

alentejanámos





Descansámos e cansámo-nos, que é o que se faz nestas coisas. E comemos castanhas assadas na lareira.
O Alentejo continua a ser a região mais bonita de Portugal.

04 novembro 2007

brutalidades

Um bebé nasce, filho de uma grande amiga: uma alegria imensa!
Outro bebé não vai chegar a nascer, filho de uma nova amiga.
A vida é mesmo brutal, já me devia ter habituado a isto. Sobretudo eu, que chego mais dificilmente aos sentimentos sublimes do que às sensações avassaladoras. Tenta-se palavras. Tenta-se qualquer coisa. Mas a brutalidade do que é inevitável é maior, e as palavras não conseguem dizer nada nestes momentos.

01 novembro 2007

vamos alentejanar

E já voltamos. Até já!

31 outubro 2007

cabeça no ar





O título deste post podia também ser "fecha a boca que entra a mosca", mas era capaz de afugentar alguns estimados leitores deste blogue (e tenho de vos tratar bem, que vocês são poucos mas bons).

30 outubro 2007

uma dor intermidente

Como já vem sendo hábito do meu filho, cavalheiro de primeira e sempre atencioso com a mãe, o Gustavo "resolveu" esperar que acabasse a maminha para deitar cá para fora o primeiro dente. Agora é vê-lo todo orgulhoso a roer os nossos dedos e bocados de pão como se tivesse uma dentadura de T-Rex :D

Ora, no passado fim-de-semana, lá fomos nós à festa de anos da prima do L., onde estava muita gente que o Gustavo não via há muito tempo ou nunca tinha visto na vida. De súbito, toda esta gente lança os braços na direcção do meu filhote, que resolveu começar num pranto como se lhe estivessem a fazer muito mal. Nós, pais, percebemos que era da situação e próprio da idade mas é claro que toda a gente se pôs a mandar muitos palpites. Que era sede. Que era fome. Que tinha frio. Que era do dente, de certeza que era do dente. Gosto tanto, tanto quando isto acontece... O curioso é que ele tinha passado todo o dia bem disposto, ficava bem quando vinha para o nosso colo e só voltava a chorar quando um desconhecido teimava em pegar-lhe ao colo... Quando nós lhe voltavamos a pegar, lá ficava ele contente. Estava feito o diagnóstico: estava com dores intermidentes :P

29 outubro 2007

no fundo do mar

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."

Sophia de Mello Breyner Andersen, in Dia do Mar

Anteontem fui correr junto ao rio. Sozinha. E ontem fui mergulhar. Já me tinha esquecido do sol visto lá de baixo, do silêncio e da paz. Mergulhar dá muito trabalho mas o mar... O mar vale sempre a pena.

26 outubro 2007

maminhas

Hoje de manhã, no banho:

gralha: Maminhaaas! Há quanto tempo não vos via! Que é feito?
maminha esquerda: É verdade. Já nem sabiamos se iamos voltar...
maminha direita: Pois, andavas toda contente, com o soutien bem recheado...
gralha: Vá lá, meninas, não sejam assim. Vocês sabem que eu gosto de vocês assim pequeninas.
maminha direita: Humpf... Se o dizes...
gralha: Claro que gosto! Até posso provar com uma pequena canção - as saudadeees quieu já tinha das minhas lindas maminhas tão modestas quanto eeeeeu! (só que mais)
maminha esquerda: Pronto, pronto, já chega! Quer dizer que mandaste as outras embora?
gralha: É verdade, teve de ser. Agora sou só eu e vocês, meninas. Podemos correr, saltar, vestir qualquer roupa sem que se ponham a olhar para o meu decote, uma maravilha!
maminha direita: E prometes que nunca mais nos mandas embora...?
gralha: Ah isso, desculpem lá, mas quando vier o próximo gralhinho lá terão de ir passar mais umas férias prolongadas.
maminha esquerda: Bem, vê lá se, ao menos, para a próxima, nos mandas fazer topless para uma praia das Caraíbas, está bem?
gralha: Topless não que vocês são muito branquinhas. Mas espero poder mandar-vos em breve para a praia com um bikini bem pequenino, ok?
maminhas: Combinado!

(Hoje acabou a amamentação. Não foi por escolha, foi por ter de tomar medicamentos, por isso estou triste... Por isso preciso destas pequenas palhaçadas para a nostalgia não bater tão forte)

24 outubro 2007

números

O que é que acham que significa quando uma gralha começa a sonhar com números, facturas, recibos, extractos de bancos...? Que está a ficar rica? Não (acho que já revelei aqui o facto de a minha conta nunca chegar a mais de dois dígitos a meio do mês). Que é grande fã do sudoku? Apesar de ter levado um livrinho para o trabalho de parto (que o paizinho se entreteu a fazer), também não. Que, apesar de ser socióloga e de toda a vida ter tido nojo à Matemática, está a trabalhar com números, facturas, recibos e extractos de bancos? Sim. O que me vale é que o meu marido super-cromo, grande cientista de reconhecimento internacional, que ganhou um prémio - sai uma grande salva de palmas para o meu marido - e não posso dizer mais porque ele gostava de manter o anonimato bloguístico e agora já está difícil, está aqui está a ganhar um dinheirão e eu vou poder ficar em casa a cuidar dos nossos filhotes e cães e a criar a tão sonhada Fundação Gralhamiga...

p.s. Já me tinha esquecido de como o meu filho é bem disposto e como bem quando não está (bastante) doente! Quando está doente, come e sorri, mas quando não está é uma espécie de Magali meets João Baião nos tempos áureos do Big Show Sic. Mas sem a parte efeminada.

23 outubro 2007

chuva

Pronto, já podes vir. Eu, cá por mim, passava bem sem ti o ano inteiro, dadas as minhas inclinações saharicas, mas suponho que já anda por aí muita gente a aguar e até que o meu carro já precisava de ser lavado.

22 outubro 2007

cão útil

OK, como é que eu hei de dizer isto? Matias, importas-te de fazer isto? E já agora aprendes a mudar fraldas mal-cheirosas e a tirar a ranhoca do nariz do Gustavo. Obrigada,
A tua dona



adenda: não sei porquê, pelos vistos ninguém vê o filme para além de mim - é um cão muito giro a acalmar um bebé a chorar. Pronto, e agora vou arrumar as botas que não percebo nada destas coisas de informática, o que é fantástico para alguém que administra dois websites...

19 outubro 2007

ainda os bichos maus

Já me tinham advertido que, no primeiro ano de creche, ele ia estar sempre doente. Não tinham era dito que a mãe também! :( Pai sofre a cuidar desta gente toda...

Bom fim-de-semana e aproveitem o bom tempo, que nós devemos ficar a fazer companhia aos fungos debaixo dos lençóis...

17 outubro 2007

adeus descanso II

Que se põe em pé na cama... Ainda que continue a preferir estar de joelhos - tão querido, tão pequenino e já a revelar as tendências beatas da mãe :p

E esta semana fica em casa porque, depois de 20 dias constipado e agora com febre, já chega. Soro, soro e mais soro, aerossóis com soro (e que instrumento de tortura é a máquina de aerossóis, senhores!), gotas para secar o nariz, ben-u-ron, ben-u-ron. O senhor da farmácia já me conhece...

Agora vou ali tentar dar sangue e já volto.

adenda: não se pode dar sangue num período inferior a 12 meses depois do parto. Nunca chumbei tanto na minha vida como em tentativas de dádiva de sangue!

15 outubro 2007

as dez coisas mais bonitas

Lista das dez coisas mais bonitas do mundo (eu sei que são incomparáveis e que a escolha foi um tudo-nada parcial, mas apeteceu-me fazer esta lista e fiz, pronto):

1ª A gargalhada do meu filho
2ª O sorriso do meu filho
3ª O meu filho a dormir
4ª O mar
5ª O nascer do sol em Cayo Largo, Cuba
6ª O "Canon em Ré Maior" de Pachelbel
7ª O perfil sério do L. enquanto conduz
8ª A poesia da Sophia de Mello Breyner Andersen
9ª O "Every Breath You Take" dos Police
10ª O céu azul de Lisboa numa tarde de Outono com castanhas assadas

Quem quiser faça a sua listinha de favoritos no respectivo blogue mas, por favor, não vamos transformar isto numa daquelas correntes que, se forem quebradas, nos trazem grandes desgraças como o amarelar dos dentes ou perder todos os guarda-chuvas que comprarmos ao longo da vida.

12 outubro 2007

7 meses

Rapozinho do meu coração, que já fazes sete meses: parabéns! Neste mês, estiveste mais tempo doente do que saudável mas nunca perdeste a boa disposição e o sorriso pronto. És tão generoso com os teus sorrisos que eu acho que o Estado me devia pagar um subsídio por andar a alegrar as pessoas que passam por ti na rua. Este mês foi também tempo de grandes conquistas para a tua independência porque aprendeste a ficar sentado sem apoio para brincar à vontade e, sobretudo, a gatinhar para ir descobrir o mundo. E já percebeste que o mundo é muito maior do que imaginavas! Também continuas muito falador e agora dizes coisas com grande convicção que eu, infelizmente, não consigo perceber, o que não nos impede de ter grandes conversas. Estás cada vez mais matulão e, reparo agora nestas fotografias, a transformar-te rapidamente num rapazinho e a deixar de ser bebé. Gosto de ver-te crescer, filhote, mesmo que tenha saudades de ti pequenininho - bem, tu nunca foste pequenininho... - e mesmo que não possamos estar juntos o dia todo aproveitamos muito bem o tempo que temos. Continua sempre assim: querido, meiguinho e curioso, sim?



11 outubro 2007

pintarriscos


Encontrei-o no blogcatita e desde então que ando enamorada pelas coisas lindas que faz. Vejam o blogue e o site e digam lá se não é de ficar com a alma cheia de estrelas e arco-íris.

10 outubro 2007

semáforos

Há três tipos de pessoas perante um sinal vermelho:

O daltónico (vermelho? qual vermelho??)

O nostálgico (ainda agora estava amarelo)

O discreto (ora deixa-me cá abrandar... se eu passar sorrateiramente não há problema)

Normalmente associa-se as mulheres ao daltonismo sinaleiro e os homens à nostalgia neste departamento, mas os discretos é que me deixam mesmo estupefacta! Como é que é possível - e é, que eu já tenho visto alguns durante o dia em Lisboa, não estou a falar de locais ermos às 3 da manhã - que alguém ache que se torna invisível só pelo facto de passar um sinal vermelho a 5 km/hora em vez de a 50 km/ hora? Se é para infringir a lei, façam-no com os devidos tomates. Agora passar de fininho é mesmo coisa de menina, francamente!

(confesso-me daltónica e nostálgica ocasional - raramente! E vocês?)

08 outubro 2007

adeus descanso

Qual é a diferença entre um bebé que não gatinha e um bebé que gatinha? Toda! O meu virou um diabrete - e um diabrete ranhoso, que a constipação ainda não passou. Num espaço de 10 minutos, conseguiu ir dar uma cabeçada na estante, arrancar a ficha do candeeiro da tomada, ir verificar se o aquecimento estava ligado (felizmente não estava), pendurar-se na rede dos brinquedos suspensa do tecto e puxar a gaveta debaixo da cama. Nós iamos olhando boquiabertos para tudo aquilo para ganharmos noção do novo filho que aterrou lá em casa esta semana e dos 1000 cuidados que temos de passar a ter. E ele ganhou a companhia permanente de um de nós a cada segundo, que isto de deixar o cão a olhar por ele no tapete enquanto vamos só ali lavar as mãos é História.

04 outubro 2007

problemas conjugais de idosos

Acho que o meu marido tem ciúmes do tempo que passo a fazer tricot.

(Note-se que ele tem passado os serões a trabalhar em casa, por isso, ou tricotava ou via telenovelas. Assim o Gustavo sempre fica com a cabeça quente e colorida do Inverno)

01 outubro 2007

do fim-de-semana

A piroseira do tempo de Outono já chegou, disso já todos nos apercebemos. De modo que, lá por casa, rendemo-nos às evidências e o Gustavo resolveu apanhar a constipação que anda agora na turma dele (as salas dos bebés levam 8 crianças + um número incontável de vírus) e pegá-la à mamã e ao Matias. A mamã não leva a mal (o Matias também acho que não), só custa é ouvi-lo a tossir a noite toda. Pronto, mas como nem tudo é mau no Outono, também deu para beber chazinho, comer torradas, ver DVDs e começar a tricotar para o enxoval de Inverno do meu filhote. Estou a pensar fazer uma colecção de barretes coloridos, o que é muito ambicioso para alguém que teve de vir ver à net como se lança as primeiras malhas.

Boa semana para todos!

Ah! Já me esquecia do mais importante: mesmo no meio das ranhocas e das rabujices da constipação, o Gustavo descobriu finalmente como se gatinha para a frente! Ainda só dá três passitos e cai para a frente mas estamos muito orgulhosos :D

28 setembro 2007

fita cor-de-rosa

Sabem aqueles dias em que já se vem com o cansaço acumulado de dias e com muitas irritaçõezinhas entaladas na garganta mas depois acontece alguma coisa realmente importante e isso se evapora?

Hoje quase atropelei uma criança. Não por excesso de velocidade nem por distracção, simplesmente porque era uma menina pequenina que passou rente à traseira do meu carro quando estava a sair do estacionamento, depois de deixar o Gustavo na creche. A menina tinha uma fita cor-de-rosa na cabeça e foi isso que vi no espelho retrovisor e me fez travar a fundo. Ela ficou confusa com o susto. Eu fiquei gelada e fisicamente mal-disposta. Se ela tivesse menos 10 cm não a tinha visto e tinha-lhe passado por cima.
Às vezes os encontros casuais do quotidiano são dramáticos, inevitáveis, brutais. E não há nada que possamos fazer acerca disso. Hoje tivemos sorte, aquela menina e eu.

26 setembro 2007

há coisas fantásticas, não há?

A minha "Joana" (Andy Summers) já parece um daqueles tios de uma certa idade a quem se leva bolachas nas tardes de chuva de Domingo.
A minha "Rita" (Stewart Copeland) continua com muita pinta a tocar bateria mesmo com uns óculos da colecção Desconto = idade da Multiópticas.
A minha "Teresinha" (Sting) - aaah, a Teresinha... - tem o baixo todo escangalhado (acho que tenho de lhe oferecer um novo no Natal) e não me fez a vontade de tocar contrabaixo no "Every breath you take", mas continua com uma voz sobrenatural e com um carisma incomparável.

As minhas "meninas" portaram-se tão bem! Tocaram muito decentemente e ainda estão todas muito sexy, apesar dos anitos que passam por todos.

25 setembro 2007

the police


É hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje é hoje!

Depois de 28 anos de espera (sim, porque já os ouvia na barriga da minha mãezinha) vou finalmente realizar um sonho que sempre julguei que seria impossível :D

Espero que toquem ainda melhor do que na minha despedida de solteira ;)

24 setembro 2007

muitas vidas

Hoje acordei de manhã

(e sai uma grande beijoca para o S. Pedro que se tem portado tão bem no último mês)

Hoje acordei de manhã e, se não fosse socióloga-esposa-mãe era fotógrafa para a Amnistia Internacional e andava à volta do mundo a retratar a condição da mulher nas diferentes culturas (e inculturas).

Ou era cantora (pimba - a maioria de vocês não sabe mas eu tenho voz de cantora pimba) e andava a fazer o circuito emigrante e a levar a portugalidade a tanta gente afastada no nosso lindo céu azul. Que eu bem sei que às vezes a saudade bate forte e até para quem não gosta de bacalhau (como é o meu caso) as pataniscas sabem a casa.

Ou era antropóloga para a National Geographic e andava a redesenhar as fronteiras de África em função das centenas de etnias e nações (que não coincidem com os Estados que o Ocidente resolveu atribuir). Ou então passava só uns meses a pastorear cabras no Kalahari (nota-se que acabei de ler o África Acima, do Gonçalo Cadilhe?).

Não trocava a minha vida por nada mas gostava de ter mais vidas para fazer tantas coisas e conhecer tanta gente e ver tanto mundo...

Nota que agora não tem nada a ver: hoje, pela primeira vez em 10 anos que frequento esta universidade, a Comissão de Praxes não veio ter comigo com aquele ar esfomeado de quem me quer escrevinhar a cara. Estou oficialmente cota.

20 setembro 2007

avós e netos

Este texto vale a pena ler por todas as mães a braços com as já famosas discussões mentais. Se todos tivessem juizinho e soubessem colocar-se nos seus lugares era tão mais benéfico para as crianças...

informação importante

O Duarte das Pistas da Blue integra o novo elenco dos Morangos com Açúcar.



(para os menos atentos, passo a explicar: o pobre Duarte é um símbolo de toda uma geração nacional que é forçada a fazer grandes figuras imbecis para ganhar currículo e, finalmente, conseguir atingir o grande objectivo profissional - presumindo que o grande objectivo profissional de um jovem actor português é participar nos Morangos. Se o Duarte conseguiu, há esperança para todos nós mileuristas, recibos verdes, saltitões de contratos a termo certo e bolseiros já com alguns cabelos brancos)

18 setembro 2007

VIC


Virose de Introdução à Creche. Guguinha 1 - Bichos Maus que Fazem Febre - 0.
Assim começa o campeonato nesta temporada. Já estava preparada para que acontecesse mas não há nada que nos prepare para o nosso borrachinho eléctrico tornar-se murchinho e triste, sem brincar, sem palrar, (quase) sem um sorriso.
Mas hoje já voltou para a escola, pronto para enfrentar a próxima :)

E eu vou ter um trabalho louco nas próximas semanas por isso não estranhem o meu silêncio nos vossos blogospaços, sim?

beijinhos e boa semana.

15 setembro 2007

e por falar nisso...

O Gustavo está cheio de febre desde ontem à noite :(
Não tem outros sintomas e ainda não chegou ao 40 graus, por isso o Dói Dói Trim Trim mandou-nos só dar o Ben do costume e refrescá-lo com toalhas húmidas. Mas CUSTA TANTO vê-lo assim...

14 setembro 2007

os medos

Nisto dos blogues fala-se de muita coisa, às vezes até demais no que diz respeito à nossa intimidade e à dos nossos filhos. Mas costuma ser uma versão um pouco acôrderosada da coisa, porque todos temos pudor em falar das nossas fraquezas e das nossas falhas. Já o fazemos cá fora ("então, tudo bem?", "ah, vai-se andando"), como não o havíamos de fazer na blogosfera?
No entanto, eles persistem, os medos. E falo em concreto dos medos que sentimos em relação aos filhos e que, sobretudo por arrasto de várias notícias que têm vindo à cena nos últimos tempos, teimam em roer-nos por dentro. Baixinho mas insistentemente. Temos medo que algo não corra bem com a gravidez. Depois com o parto. Depois ainda é pior porque nos sentimos (e somos!) responsáveis por algo tão indefeso.
Eu tinha medo que o Gustavo caísse da cama. E caíu (felizmente não foi nada de grave). Às vezes, os medos tornam-se pesadelos reais e não há nada que possamos fazer... A sensação de impotência é terrível. A vontade de fazer Control + Z (anular a acção anterior) é estupidamente real. Mas não dá, não dá. E falhámos como pais. E nas últimas noites tenho sonhado todos os dias que agarro o Gustavo porque está a cair da cama (e acordo com o L. a perguntar por que é que o estou a agarrar).
Depois há todos aqueles medos que não se concretizam (até ver!), que se sucedem e renovam, à medida dos novos perigos de cada idade. Agora dou por mim a ter medo das sanitas, o que podia ser muito engraçado se elas não constituissem mesmo um perigo para os pequenos exploradores. E é melhor não pensar demasiado no assunto senão começo a ter medo de tudo.
O que é que eu queria dizer com tudo isto? Claro que não quero fazer ainda mais medo a ninguém. Se calhar só quero exorcisar um bocadinho os meus receios de falhar como mãe.

12 setembro 2007

6 meses

Parabéns meu filho querido pelo teu meianiversário!!! Não caibo em mim de orgulho por ter um bebé tão maravilhoso. Mas não é um orgulho orgulhoso, é mais um orgulho incrédulo de quem não acredita como é possível ter feito - e contribuir agora para o crescimento de - uma coisa tão perfeitinha. Meu filho, acho que te achava a coisa mais linda do mundo mesmo que viesses pintado às bolas verdes e com 7 patas, mas a verdade é que és, cada vez mais, um bebé encantador, simpático, meiguinho e bem disposto. És uma benção, mesmo.
Já não consigo dar conta das tuas gracinhas... Adoro quando me róis o queixo e me puxas as bochechas (só é pena preferires puxar o cabelo). Adoro a tua determinação em gatinhar para a frente, apesar de só conseguires andar cada vez mais para trás (mas não desistes!). Continuas a não ser grande fã de estar sentado, apesar de já o fazeres bem com o apoio das mãos. Mas assim não dá para ir buscar os brinquedos!
Adoro o teu chapinhar louco no banho, mesmo que aquilo fique tudo em estado de sítio no fim. Adoro que tenhas tanto apetite que até gostas das sopinhas que faço. Adoro que continues a adorar a maminha. Adoro o cheirinho a bebé da tua nuca, que está a passar depressa demais! E adoro aquele momento em que te vou deitar e ficamos um bocadinho na cadeira das histórias enquanto de falo baixinho e te faço festinhas. Adoro-te, meu borrachinho gordo e grandalhão!



11 setembro 2007

bebés por acaso, bebés por milagre

Ao falar com os meus colegas e ao ler isto, constatei assim de repente que toda a gente que conheço da minha geração (eu incluída) que teve recentemente bebés fê-lo por acidente ou com recurso a técnicas de reprodução assistida. O mais diverso tipo de pessoas, com diferentes origens, formações e valores.
Caramba, não é fácil ter bebés em Portugal, hoje em dia! A situação profissional instável não o permite, a falta de apoio para cuidar deles quando crescem não ajuda. A falta de dinheiro, ai, a falta de dinheiro... Todos sabemos as voltas que damos à cabeça e à carteira para que as coisas funcionem. Depois ainda há os que até têm possibilidades mas não querem fazer esta opção, pelo menos neste momento. Não julgo, cada um sabe de si. E depois há os que tentam, tentam, passam por angústias, frustrações, desilusões, investem o que têm e não têm, monetária e emocionalmente, e então lá conseguem (ou não...).
Que mundo este em que os bebés deixaram de ser uma consequência simples, desejada e previsível (será que alguma vez o foram, realmente?). A taxa de natalidade depende de distracções e de intervenções. Fui só eu que, em pequenina, olhava para o meu futuro e sonhava ter filhos? Sou só eu que continuo a acreditar que os sonhos têm de ser maiores que os obstáculos da realidade?

mãos no fogo

E quando pensamos que já nada nos surpreende, bam! Vem a Maddie e os pais desesperados que movem literalmente o mundo e agora se tornam o alvo das maiores suspeitas... Ainda me custa a acreditar. Não no eventual acidente mas na insistência que fizeram sobre a mediatização. E o feitiço agora vira-se contra o feiticeiro porque nunca como agora a notícia alicia, como romance policial: como esconderam tudo isto este tempo todo? Como é que a polícia portuguesa vai conseguir lidar com a situação com eles à distância? Será que alguma vez vamos ficar a saber alguma coisa?

A pergunta maior: Se foi acidente, por que não assumi-lo à partida? Porquê? Será que eu faria o mesmo, no meio do choque?

10 setembro 2007

ressaca

Filho...
Preciso de filho...
Ninguém tem por aí uma fraldita suja, um bocadito de baba, um singelo bolsado para eu me aguentar até ao fim da tarde?

07 setembro 2007

retratos da família


A mãe (muito favorecida em relação à foto que mostrei na semana passada, eu sei)


O pai (o tal lobo para o qual o Roger rosnava - tem mesmo um ar ameaçador, não tem?)


O filho (como vêem, o filho sai ao pai, excepto nos olhos e a côr de pele)

Concluímos hoje os três dias de introdução à creche e posso dizer que correram MUITO bem :) O Gustavo esteve sempre bem disposto, comeu e dormiu bem, sorriu e fez muitas festinhas para as educadoras (que ficaram logo conquistadas, espertalhão!) e não o vi a chorar uma única vez. Sei que isto só é possível porque o Gustavo ainda é muito pequenino - é uma vantagem de entrar tão cedo para a creche - mas sinto-me aliviada e descansada - tenho confiança no sítio e nas pessoas que ficaram com ele - por isso, apesar das saudades (hoje foram 6 horas, já custou!), acho que não posso pedir mais nada senão que continue assim. E que as doenças continuem afastadas por muito tempo, xô! Não há nada, nada no mundo que pague o sorriso que ele faz quando o vou buscar! Acho que devia fazer anúncios a pastas dentífricas, apesar de ainda não ter dentes :P
E hoje, depois da "escola", ainda deu para comemorar (?) o meu fim de férias e fomos passear ao Zoo, coisa que eu adoro (e ele também, concerteza). Isto é que é vida!

Bom fim-de-semana!

04 setembro 2007

o quarto do gustavo

Para já, muito obrigada pelas vossas opiniões... que foram de encontro à dos meus pais e da pediatra (sala com tudo à misturada = muita confusão de vírus e bactérias), e a nossa decisão recaiu então sobre a creche mais velhinha mas mais organizada (amanhã já vai para lá uma horinha). E tal como disseram, com as rotinas necessárias - que é coisa a que o Gustavo está habituado desde que veio para casa da maternidade.

Rápidas:

Lembram-se de eu ter dito que o Roger é chanfrado? O que chamar então a um cão que rosna ao lobo que eu pintei num quadro (e eu não sou nenhum Leonardo da Vinci)? É de cair para o lado a rir.

Da consulta dos 5 meses-que-é-mais-6-mas-enfim: o Gustavo continua óptimo, grande e gordo. E hoje comeu a primeira sopa e fruta (a sopa marchou em alto speed, a pêra nem tanto, mas acho que foi porque não a cozi).

Finalmente, aqui está uma foto do quarto do Gustavo. A foto está bem miserável porque as cores estão um bocado escuras (é mais em tons de lima e azul celeste) e parece muito pequenino, mas até é uma área decente. Não quisemos uma coisa muito abebezada nem, diga-se a verdade, temos muita paciência para decoração, mas até fiquei satisfeita com o resultado. Recomendo vivamente o tapete acolchoado (comprei no centro do Campo Pequeno) porque é enorme e um descanso para deixar o Gustavo a arrastar-se e andar de marcha atrás como tanto gosta. Ah, no quarto só faltam os três quadros que pintei (entre eles o tal do lobo), que faltam emoldurar. Depois mostro.

(afinal não foram assim tão rápidas)

03 setembro 2007

indecisos (ainda)

Ainda a questão da creche...

Espaço simpático ao ar livre... Ou duas pessoas fixas para cada sala de bebés?
Salas pintadas de fresco... Ou caminhas para dormir, num quarto para o efeito (em vez de meras esteiras num quarto onde se brinca e dorme à misturada)?
Horários livres... Ou rotinas mais certinhas?
É que estas coisas não são comparáveis!

E isto são só os prós e contras que dizem respeito apenas ao Gustavo, não falo de distâncias, preços, períodos de funcionamento...

Foi muito difícil escolher o que seguir no 10º ano.
Foi por impulso que escolhi a licenciatura.
Caramba, por que é que tem de ser tão difícil fazer escolhas também para um pobre indefeso que agora está à minha responsabilidade??? Quem sou eu para decidir? Angústia. E duas creches que pensam que o Gustavo vai lá começar a ir na 4ª feira (qualquer dia estou tipo Pinóquio com tanta aldrabice). Acho que vou lançar as cartas do Tarot.

02 setembro 2007

mudança de quarto

Uma pessoa mentaliza-se para ser mãe e desenha na sua cabecita um canone: a mãe que sorri sempre, a mãe meiguinha mas não melga, a mãe que conta histórias fantásticas e tem ideias geniais para brincadeiras e jogos, a mãe que impõe disciplina mas não se irrita, a mãe que cozinha pratos fabulosos, a mãe fixe que é a inveja de todos os amigos dos filhos... Enfim, a mãe que é uma boa mãe mas não é mãe galinha.
OK, os planos já me sairam furados.
O Gustavo mudou ontem para o quarto dele (que está, finalmente, a ficar compostinho - quando estiver terminado ponho aqui as fotos) e só me deu para a choradeira. Um chorinho disfarçado, nada de dramas, mas um chorinho. Então e o "é bom sinal, é porque já está crescido" e o "que bom, já vão ter o quarto só para vocês"? Tretas. E as saudadonas do meu gralhinho e de acordar e vê-lo a espreitar por estre as grades e a dar aquele sorrisão? Ai...

31 agosto 2007

desonesto

O meu filho tem coisas que me fazem pensar que ele não é um bebé honesto, isto é, um bebé que se sabe com o que é que se pode contar. Senão, vejam: o que é que uma pessoa faz quando chega à sala e vê o seu filho de 5 meses no meio da dita (que é pequenina, diga-se), deitado de bruços e agarrado ao carrinho de chá, que vai empurrando metodicamente (tipo aqueles andarilhos dos velhotes)? Primeiro ri-se. Depois pensa: não posso mesmo voltar a deixá-lo sozinho sem uma protecção à volta. É preciso tapar as tomadas. Como vou proteger estas arestas todas? Ai a minha vida, não era suposto estas aflições virem lá para os 9 meses, ou assim???

E hoje estou, pela primeira vez, a dormir sozinha em casa com o Gustavo (e com o Matias e o Roger) porque o L. foi a uma despedida de solteiro que só acaba no almoço de amanhã. A parte do sozinha com o Gustavo não me inquieta. A parte do como é que eu vou passear os dois cães com trela (um é fugidio e o outro é chanfrado, acreditem que não os posso soltar) e com um bebé num marsúpio que já nem devia estar a usar é que vai ser o meu fim, ai, ai... É que são 17 kg de Matias, uns 40 kg de Roger, uns 10 kg de Gustavo e uns meros 48 kg de gralha. Eu diria que é fisicamente impossível.


Bom fim-de-semana!

29 agosto 2007

as férias

Ora então, as férias: Piscinámos muito, praiámos menos, lemos bastante, descansámos quanto baste. Comeu-se muito cachorro, bebeu-se muito Sumol (tal como há 1 ano: era a única coisa que conseguia beber no primeiro trimestre de gravidez), mastigou-se muita batata-frita... Mas sobretudo esteve-se muito bem em família. Foi tão bom ter os dias todos inteirinhos para brincar com o filhote! E acho que ele se sentiu muito feliz por ter ambos os pais sempre disponíveis (física e psicologicamente) para a palhaçada e para os mimos. Chegou a haver dias que até acordava depois das 9h e tudo! ;) Ele adorou tudo o que metia água: a piscina (ainda que a água estivesse fresquinha), o mar, o barquinho insuflável cheio de água (e bonecada!), you name it! Espere que continue assim fiel ao seu signo para daqui a uns anos se juntar aos pais nas aventuras ribeirinhas, marinhas e submarinas.
Mas por que é que as férias têm de acabar? E por que é que vivo estas duas semanas ainda em casa mas já a antecipar a entrada do guguinha na creche...? :( Não sei, mas esta miséria de tempo não ajuda a melhorar os ânimos. O que me vale é o meu filhote, já tão crescido e cada vez mais reactivo e atento (é como se tivesse deixado de ser um boneco e fosse uma pessoa de verdade, se me entendem), e que dá ânimo para acordar cedo todo o santo dia. E cantar-lhe a música do bom dia ao sol mesmo que não haja sol nenhum lá fora.

Agora, como presente de fim de férias, e especialmente para o curioso Matvey, apresento-vos a gralha!!! (mascarada de pessoa, claro)

foto retirada

E agora tenho de ir espreitar os vossos blogues, que já devo estar muito desactualizada!

27 agosto 2007

de volta a casa

Ainda estou de férias mais duas semanas mas acabou-se a piscina e a praia (pouca), chuif... Como poderão calcular, o regresso de viagem implica muitas arrumações, limpezas, etc., pelo que hoje não tenho tempo para grandes conversas. A correr: as férias foram óptimas, o Gustavo parece outro rapazinho, tais foram as mudanças, tirámos muitas fotos e filmámos muito... e obrigada pelas vossas simpáticas palavras pelo quinto mesiversário :). Até já!

10 agosto 2007

5 meses (quase)

No limiar do quinto mesiversário, e porque vamos de férias, revejo mentalmente as tuas conquistas mais recentes. Rebolas como um croquete, o que já deu acidente, e quando ficas de barriga para baixo começas a fazer flexões "à menina" (com os joelhos no colchão). Quando converso contigo, começas a dar aos bracinhos e pernas a alta velocidade, como se quisesses levantar voo. Por falar nisso, para além de estar de pé, o que mais gostas é de voar sobre mim - meus pobres bracinhos... Sentado é que não é muito contigo.
Passas objectos de mão para mão até alguma coisa cair e eu lá ir apanhar. E os pés também são um novo brinquedo.
Quando te levo ao supermercado de marsúpio (É verdade, shame on me! E é ao Minipreço), gostas de agarrar na pega do carrinho e vais tu a empurrar. Já me ajudas tanto, filhote :).
Adoras pegar e lamber os meus relógios, principalmente o meu swatch scuba (porque é verde e macio). Mexes devagarinho na cara das pessoas para nos reconheceres a boca, o nariz e os olhos. Fazes-me umas festas muito meiguinhas que, para minha alegria, ainda só reservas para mim (pronto, para o pai também). Abraças-me o pescoço quando tens sono/miminho, mas não gostas de estar muito tempo ao colo.
Continuas a palrar muito e a cantar quando eu começo a cantar. No outro dia, até te pus ao piano e foi uma sinfonia encantadora (principalmente para os vizinhos, eheh), contigo a martelar nas teclas e eu na oitava acima a tentar acompanhar-te.
Começaste a reagir aos estranhos (vulgo, pessoas não-papá-nem-mamã) que não se aproximam cuidadosamente. Se chegam e querem logo pegar-te ao colo sem mais nem menos temos choradeira. Realmente, mas que liberdades são estas?
Continuas a roer muito as mãos e os dedos e a babar, mas não há dentes à vista. Quando estamos à mesa, estás sempre a chamar-nos e depois ris-te. Se não olhamos, começas a choramingar. Às vezes porto-me mal e ponho-te ao meu colo enquanto acabo de jantar, o que dá direito a filho cheio de pingos de fruta na cabeça.
Mamas na descontra, como quem já conhece as minhas maminhas de gingeira, e paras a meio para conversar e fazer barulhinhos a ver se eu imito. Quando o faço, ris-te e agarras a maminha de novo. Não pode é haver confusão à volta, senão distrais-te e não mamas mais nada. A maminha é que vai ter de começar a desacelerar agora porque vais para a creche e a mamã não consegue passar o dia todo a tirar leite com a bomba (Deus sabe o que me custaram estas 6 semanas). Mas também já vem aí a sopa e a fruta! Comes a papa sem hesitações e cobiças a nossa comida, sobretudo quando estamos os três a tomar o pequeno-almoço na cama. Não engoles uma gota de água - nem natural, nem fresca, nem infusões de lúcia-lima, cidreira. Se é para beber, é leitinho.

Estive todo este mês mais longe de ti, filhote querido. Custou-me muito passar os dias à espera do fim da tarde, para te rever. E muitas vezes chegar a casa e já estares a dormir. Mas o amor explosivo e impossivelmente enorme que sinto por ti só aumenta a cada momento. Vejo-te crescer e fico orgulhosa pelo rapazinho fantástico que estás a tornar-te... e com saudades do meu Guguinha recém-nascido. O que vale é que agora vamos ter 4 semanas inteirinhas para namorar muito, passear e brincar. Nunca poderei parar de dar graças a Deus e ao teu papá por te terem trazido para a minha vida :).

E agora: BOAS FÉÉÉÉRIAAAAAAAS!!!


(Sim, é mesmo a patinha dele a agarrar na máquina. Já a fugir dos paparazzi)


09 agosto 2007

chapéus

Eu bem tento conter a minha língua venenosa e conto até 100 antes de vir escrever um post, só para parecer que sou uma gralha boazinha que nunca faz uso do sarcasmo e nunca diz mal de ninguém. Mas, às vezes, é mais forte do que eu. E eu nem tenho a culpa, venho de uma família de gralhas em que as bocas se sucedem a um ritmo alucinante, a ver quem é que consegue dizer o maior disparate. Adiante. Perdoem-me, portanto, os que se sentirem afectados pela minha actual inquietação metafísica.

Estão preparados? Cá vai:

Por que é que algumas senhoras, a partir de uma certa idade, começam a usar os chapéus no alto do cucuruto?

(Eu sei, é uma questão de uma pertinência acutilante nos dias que correm - Verão, sem nada de especial para dizer)

É que não é um chapéu qualquer, é um chapéu daqueles brancos com publicidade, geralmente de uma marca de congelados ou de uma campanha eleitoral de mil-novecentos-e-troca-o-passo. E lá se empoleira ele, altaneiro, no topo daquelas cabecitas lusitanas.

Como cientista social, tracei algumas hipóteses (e olhem que isto é matéria para, pelo menos, uma tese de licenciatura em sociologia!). Ora vejam, analisem e opinem:

H1: As cabeças das mulheres portuguesas crescem continuamente até já não haver chapéus que sirvam
H2: Este estilo fá-las parecer mais altas (minhas senhoras, se esse truque não resulta nem com a poupa ripada da Dolly Parton, por que é que resultaria com um chapéu? se resultasse, bem que eu andava de chapéu!)
H3: É para não estragar a permanente (o mesmo penteado curto e com caracóis arrumados que usam desde que se casaram e, portanto, tiveram de mudar o penteado para um de "senhora")

É que este não é um problema menor. Antes estava circunscrito às praias e aos passeios organizados pela Junta mas agora vê-se também nas ruas, no supermercado, onde quer que se vá...

08 agosto 2007

os outros

E porque não há mesmo muito a passar-se por esta altura, hoje resolvi falar-vos dos habitantes da nossa casa. Já conhecem a gralha, o Gustavo, já ouviram falar alguma coisa do L. e dos cães, o Matias e o Roger. Mas nós temos ainda mais dois habitantes (se não contarmos com a Hortênsia - uma planta, mas não é uma hortênsia. Foi o L. que lhe deu o nome, vá-se lá saber porquê...). Passo então a apresentar-vos o Polti e o Al.
O Polti é um poltergeist que já vivia em casa do L. (o resto da família do Polti continua a viver lá). Quando viemos para a nossa casa, o L. trouxe o Polti, que tem o seu próprio quartinho numa antecâmara da cozinha (agora também ocupada pela cama do Matias, que cedeu o seu quarto ao Gustavo). O Polti é muito brincalhão e gosta de deixar tudo quanto é porta de armário e gaveta aberta. Então se forem os armários de parede, deixa tudo escancarado para a gralha bater com a cabeça enquanto anda às voltas com os seus cozinhados. Já tentei expulsar o Polti lá de casa à custa de muitas cabeçadas mas não há volta a dar-lhe: se não podemos vencê-los, juntamo-nos a eles e eu própria já tenho deixado algumas gavetitas abertas, de vez em quando.
Mais recentemente chegou o Al. O Al Zheimer*. O Al foi viver lá para casa ainda antes de o Gustavo nascer mas tem marcado presença assídua nos últimos meses, devido à escassez de horas de sono que tem havido agora. É ver-nos, pois, a repetir a mesma história várias vezes (a favorita do L. é contar "sabias que o Bono fez esta música em memória do pai?" de cada vez que toca o "Sometimes You Can't Make it On Your Own"), a não recordar o que se comeu ao almoço, a esquecer de dar recados importantes... Já nos estou a ver aos 80 anos (era bom!) completamente jarretas e ainda a ter as mesmas discussões, comigo no fim a dizer: "e esqueceste-te de novo de levar a reciclagem", e o L. a ripostar: "e há 55 anos que te digo para não deitares os cotonetes na sanita".
Enfim, são uns habitantes inesperados mas nós lá vamos vivendo com eles (só é pena não contribuirem para pagar a renda).

* Eu sei que a doença de Alzheimer é um assunto muito sério e uma tragédia que afecta profundamente várias famílias. Espero que ninguém se ofenda com esta nossa brincadeira mas nós somos muito adeptos do humor negro na tentativa de tornar certos assuntos um pouco menos pesados.

07 agosto 2007

notas rápidas

Por que é que os bebés gostam de acordar mais cedo no Verão? Será que o meu não sabe que este ano não vai para a praia? Os paizinhos, pelo contrário, vão trabalhar e não estão com muitas energias para a palhaçada antes das 8h da manhã...

O L. resolveu cortar o cabelo muito curtinho (eu também gostava) e agora ainda estão, pai e filho, mais parecidos. Vê-los a olhar um para o outro, muito sérios, é demais!

Já só faltam 3 dias para irmos de férias e a lista de coisas para levar aumenta, aumenta... E não sei como vai caber tudo no meu pequeno "Ferrari".

E agora uma mais séria: Nunca falei do assunto da Maddie aqui, apesar de, naturalmente, me entristecer como a qualquer mãe. Mas as notícias de agora, de que os pais podem estar envolvidos, deixam-me absolutamente perplexa! E eu achava, do alto dos meus 28 anos, que já nada me podia surpreender...

Parece que todos os blogues foram de férias. Ninguém posta, ninguém comenta. Por um lado, é um sinal agradável da silly season - apesar do frio inacreditável que está desde ontem! Por outro lado, confesso que estou a "ressacar" a falta da dose diária de novidades. Por favor escrevam qualquer coisa! Copiem a bula dos medicamentos, contem o que comeram ao almoço. Não me deixem aqui sem nada para fazer (excepto trabalhar).

05 agosto 2007

maravilha!

(de novo sem acentos no teclado)

Este fim-de-semana esta a ser uma maravilha :) Ontem tivemos um dia bem tranquilo, o Guguinha deixou-nos dormir ate as 10h30 e a tarde fomos passear para o parque do Museu do Teatro (no Lumiar). Nao visitamos o museu propriamente dito mas digo-vos que, so pelos jardins, vale a pena. Aquilo estava absolutamente vazio, por isso andamos por la a passear como se estivessemos no nosso proprio palacio, pelo meio da vegetacao densa e de muitas especies de arvores enormes e bem cheirosas. A parte melhor foi quando paramos junto a um laguinho com patos e eu estive a dar de mamar ao filhote no meio da natureza, com um ar bem fresquinho, e ele mamava tranquilamente, parava para espreitar os passarinhos, mamava um bocadinho mais... A minha vida podia ser assim todos os dias!
Hoje tambem esta a ser um dia de luxo pois, apesar das maquinas de roupa, casa de banho para lavar, refeicoes para adiantar, etc., etc., o L. foi esvoacar (andar de planador) e eu fiquei o dia todo sozinha com o meu borrachinho mais pequeno. E que bom que e ter um dia inteirinho para namorar, brincar, dancar, ver revistas (i.e., o Gustavo amachucar as paginas das revistas) e mimar como quando estava de licenca de maternidade! Pode parecer muito pouco, mas sinto-me plenamente feliz neste momento :D

03 agosto 2007

mais magro

Agora tenho de travar uma batalha (inglória) contra o batalhão do vamos-enchouriçar-o-Gustavo, i.e., o L. e a minha sogra. Hoje de manhã tive de ouvir um "ele está mais magro. Já não tem tanto duplo-queixo". Oh meus amigos! Na última consulta estava no percentil 75 de peso. Continua uma bolinha linda com refegos por todo o lado. Fica bem disposto depois de mamar e aguenta 4 horas de dia e 8 horas de noite entre refeições. Está mais magro?!?
Vamos lá a ver se nos entendemos: quando ele crescer, pode ser magro, médio, gordo, aquilo que entender. Que seja saudável é, obviamente, o desejo de todos os pais. Agora, dispensava bem que a pediatra o pusesse em dieta daqui a uns tempos. Recusar-lhe comida, isso sim, é que me partiria o coração! Ando eu a esfalfar-me para tirar (numa casa de banho pública suja e feia onde é muuuuuito difícil encontrar a tranquilidade necessária para a ordenha), duas vezes por dia, o leite suficiente para ele tomar em casa e vem esta gente dar-lhe suplemento porque ele ainda não tinha ficado a deitar leite pelas orelhas... Por que é que esta tradição do engorda-bebés-ao-exagero continua tão enraizada em tanta gente??

Olhem só para ele tão magrinho...

02 agosto 2007

um mês de regresso

Acho que ninguém recorda esta efeméride mas faz hoje um mês que voltei ao trabalho. Não nego que é bom conviver com mais gente - ainda por cima, gente de quem eu gosto e que me faz rir - e que o meu cérebro também agradece o estímulo extra... Mas andava a pensar o que iria escrever no post dos cinco meses do Gustavo (ainda falta, eu sei!) e, sinceramente, não tenho muito para contar :(. O meu filho continua a crescer e a desenvolver-se todos os dias mas eu não estou lá para acompanhar tudo isso. Chego a casa e reportam-me os essenciais - sonos, biberons, disposição - e eu recebo-o nos braços, cheia de saudades e com um nó na garganta por mais uns momentos que não passei com ele. É que ele nunca mais volta a ser bebé... É muito injusto! Vá lá, só faltam 8 dias para as férias...

adenda:
sogra - "já viu que ele agora tosse quando quer chamar a atenção?"
gralha - "ai é...?"
:(

01 agosto 2007

desejos menos fúteis

Bem, uma pessoa puxa da futilidade e leva quase mais comentários do que quando nasceu o Gustavo! Acho que vou começar a dissertar sobre o verniz das unhas (este ano apetecia-me um tom entre o morango e o salmão, o que acham?)

Para que se entenda que não sou assim tão comedida, também tenho os meus desejos mais ousados e sabia muito bem o que fazer a muito dinheiro (se calhar já começava a jogar no Euromilhões... Mas ainda estou com esperança que a Maçanica ganhe e partilhe comigo o prémio :P). Senão, vejam:

- Comprava uma bela moradia (mas não grande demais) na Quinta da Marinha, com piscina, sauna, vários jacuzzi e um fantástico jardim, mesmo perto dos meus cavalinhos (para já pode ser um pónei para o Gustavo). É claro que tinha espaço para os meus (pelo menos) 3 cães, que teriam alguém para os levar à rua de manhã cedo;
- Comprava ainda uns modestos apartamentos em Londres e NY para as comprinhas semestrais e uma ilhota caribenha. Pode ser ao largo da Venezuela, por exemplo;
- Comprava uma carrinha BMW M5 touring azul escura para andar com os miúdos e um BMW Z4 M Roadster cinzento escuro metalizado para passear de cabelos ao vento com as minhas amigas;
- Contratava uma cozinheira (que cozinhasse como a minha mãe), uma empregada de limpeza (que limpasse como a minha mãe) e um chauffeur (não, que não conduzisse como a minha mãe) para não me maçar quando não me apetecesse cozinhar, limpar e conduzir;
- Comprava um clube de remo devidamente apetrechado para que toda a minha família pudesse lá treinar;
- Oferecia o brevet de Piloto Particular de Aviões ao L., juntamente com um pequeno aviãozinho para ele poder fazer as devidas horas de vôo anuais (mas não podes tornar-te piloto profissional, atenção!);
- Esta é a mais importante: tinha mais 3 filhos (pelo menos), a quem poderia dedicar-me plenamente durante o primeiro ano de vida, a quem poderia comprar as roupas giras todas, os livros e os CDs todos que me apetecesse e ainda os brinquedos que eles quisessem, com a devida moderação, que eu não quero cá gente mimada;
- Não haveria problema na conciliação do trabalho com a família porque iria gerir a minha Fundação, a Fundação Gralhamiga a partir de casa. Fundação esta que se iria dedicar à investigação/acção nas áreas da sustentabilidade (preservação da fauna e flora, energias renováveis e educação para a cidadania ambiental), da educação (apoio à criação de creches e escolas para crianças desfavorecidas ou filhas de pais-que-pagam-os-impostos-mas-vivem-apertados-mensalmente, sobretudo em famílias numerosas, e de bolsas para estudos graduados e pós-graduados nas áreas acima mencionadas) e da protecção social (apoio a crianças, grávidas e idosos com enquadramentos socioeconómicos desfavoráveis). E ia pagar MUITO bem aos investigadores que trabalhassem na Fundação Gralhamiga!;
- Criava um centro de recolha de animais abandonados com meios para o tratamento condigno dos "indesejáveis" (que eu iria visitar e mimar sempre que possível);
- Finalmente, criava a minha própria editora para poder publicar os romances e ensaios e compilações de poesia todos que me apetecesse escrever mesmo que ninguém os quisesse comprar.

Agora, sim, já estou a ficar mais exigente :D

31 julho 2007

desejos fúteis

Eu não me importo muito de ter pouco dinheiro. Tenho o suficiente para o essencial e nunca fui muito agarrada às coisas materiais (provavelmente porque nunca senti falta de nada enquanto crescia). Mas hoje, só hoje, apetecia-me bricar ao "o que é que eu fazia de supérfluo se tivesse o dinheiro todo que quisesse". Cá vai:

- Comprava umas sandálias verde-alface que (felizmente) nunca encontrei à venda;
- Aliás, dava a minha roupa toda e pedia a alguém com gosto que me comprasse uma nova colecção, com muitos calções, vestidos e blusas giras;
- Ia ao cabeleireiro cortar o cabelo (coisa que não faço há um ano e meio);
- Ia arranjar as unhas (coisa que nunca fiz);
- Para estragar as unhas, comprava uma prancha e um fato de surf;
- Fazia sessões bissemanais de massagens;
- Comprava as malas e brincos giros todos que visse na Accessorize;
- Comprava um i-Phone;
- Comprava o meu perfume (que também já acabou há um ano);
- Comprava várias colecções de séries em DVD;
- Reservava um veleiro (com skipper) para passeios ao largo da barra de Lisboa aos Domingos, ao fim da tarde, até ao fim de Setembro, com o meu marido (desde que ele me deixasse beber champanhe, senão ficava em terra!);
- E, finalmente, substituia o meu fiel mas já entradote automóvel por um Peugeot 207 CC 1.6 HDi 110 cinzento metalizado.

Até nem sou muito exigente, pois não?

30 julho 2007

um fim-de-semana intenso

Este fim-de-semana foi uma montanha-russa de emoções lá por casa. O Gustavo andou a dormir melhor (os pais agradecem) e por isso parece que desenvolveu, de um dia para o outro, mais uns milhõezitos de neurónios. Com a consequente evolução comportamental.
No Sábado, fez a maior birra que alguma vez o vimos fazer, em casa dos meus sogros. Aqui, normalmente, aproveitaria para fazer uma piada mas, como compreenderão adiante, estou de "castigo" por mau comportamento materno. por isso vou apenas dizer que aquilo foi uma coisa sem explicação. Não parava de chorar e gritar. Ele, que é sempre um bebé tão dócil e calminho... Bem veio dar razão à bisavó R., que acha que ele é "bravo"...
Logo a seguir a esta fita toda, fomos com ele ao seu primeiro concerto. Não, não foi um concerto para bebés. Foi um (óptimo) concerto rock (dos the guys from the caravan, vão espreitar, a sério), com música demasiado alta, na verdade, e o Gustavo esteve, na segunda fila, todo contente a dar à perna ao ritmo do cavaquinho e da pandeireta, sem dizer ai nem ui. Um espectáculo!
Mas o pior veio ontem. Depois de o termos ido assar para o Parque das Nações (carregado de protector solar, mas estava demasiado quente para qualquer bebé andar cá fora, reconheço), voltámos para casa ao fim da tarde. E aqui a mãe inconsciente, apesar dos avisos do pai de que ele já rebola a alta velocidade, deixou o seu bebé no meio da nossa cama bem larga, e foi uns minutos à cozinha. Quando entrei no quarto, fui mesmo a tempo de ver, como em câmara lenta, o meu filho a dar uma última volta e lançar-se no ar até cair no chão.

Esta cena passa agora em loop na minha cabeça. Nem consigo descrever o que senti...

Gritei (o que fez o pai vir a correr) e lancei-me para o pegar do chão, entre o choro dele e os meus soluços, e a minha reacção instintiva e absolutamente parva foi pô-lo ao peito para mamar. Como se isso resolvesse alguma coisa! Lá nos acalmámos todos e ele não demorou muito a ficar bem disposto de novo. O zeloso papá insistiu para o levarmos ao hospital e assim foi. Foi visto pela médica, fez um raio-x e, em princípio, parece que foi só um susto. Temos de estar atentos nestes próximos 3 dias a mudanças de comportamento, sonolência ou náuseas/vómitos.

Tenho o coração tão apertadinho... Errar é humano mas uma mãe devia ser super-humana. E é claro que hoje ainda custou mais vir trabalhar e deixá-lo com o pai e a minha sogra, que vai render o filho nas próximas duas semanas nos cuidados ao Gustavo.

pronto, srs. incendiários

Já podem começar a trabalhar.
:(

27 julho 2007

um grande ego

É o que se adivinha que o Gustavo vai ter. Não faço a mínima ideia a quem ele poderá sair...eheh (para quem acredita nestas coisas, ambos os pais são do signo Carneiro).
Ontem, depois do jantar, fomos dar uma voltinha a pé para aproveitar os dias mais longos de Verão com o bebé no marsúpio. Está a tornar-se um hábito agradável, espero que possamos continuar a fazê-lo. De vez em quando, sem que percebessemos porquê, o Gustavo começava a dar grandes gritos a plenos pulmões, até esgotar o ar. Não estava aborrecido nem cansado, estava mesmo animado! Depois lá percebemos: de cada vez que passávamos por um grupo de pessoas, lá começava ele naquilo. Ou seja, como que a dizer: "Abram alas que eu estou aqui. Vejam só como eu sou fantástico e maravilhoso!" E és mesmo filhote ;)

26 julho 2007

discussões mentais

Há pessoas com quem não podemos falar naturalmente, por razões de educação, cerimónia, o que seja. Ora eu sou uma pessoa muito franca, directa e transparente, logo, isto faz-me uma confusão monumental! Sinto-me artificial como um cãozinho de louça, como um bronzeado de solário, como um ridículo bouquet de flores de plástico. E quando a convivência com estas pessoas é regular, então, começo a fervilhar por dentro e, o que não posso dizer, vou matutando. Ando na rua, tomo banho, cozinho, trabalho até enquanto vou tendo discussões mentais com essas pessoas. O que ainda é mais ridículo do que o dito bouquet de flores de plástico. Só que não consigo evitá-lo, é o meu escape. Se ainda tivesse tempo e dinheiro para fazer desporto talvez a coisa atenuasse mas assim é discussão mesquinha imaginária atrás de discussão parva irreal. Até me cansar e não me ficar a sentir melhor.

Isto tudo porque os tempos que se avizinham vão exigir de mim uma atitude extremamente cristã perante o meu quotidiano. E não quero passar os dias nesta parvoeira. E muito menos permitir que estas discussões passem de mentais a reais.